Ao falar sobre sistemas fotovoltaicos, estamos nos referindo a um investimento de grande relevância. Em 2025, mesmo com a alta do dólar, o payback de uma planta fotovoltaica está entre 22 e 36 meses, caracterizando-se como um dos melhores investimentos disponíveis no Brasil.
A geração de energia em sua casa, comércio ou indústria proporciona retorno financeiro por meio da expressiva redução nos custos das tarifas de importação de energia da concessionária local. Assim, o valor economizado permanece no seu bolso, livre de impostos e declarações.
Entretanto, você sabia que seu sistema solar pode perder eficiência ao longo do tempo se não receber os devidos cuidados? Investir em energia solar é uma decisão inteligente, mas garantir que ele continue gerando o máximo de energia requer atenção. Neste artigo, apontaremos os principais cuidados que você deve ter com o seu sistema.
Manutenção Preventiva, Por que é importante?
A manutenção preventiva é uma prática comum em todos os tipos de equipamentos e sistemas. Assim como um carro precisa de revisões periódicas para manter sua segurança e eficiência, um sistema fotovoltaico também demanda pelo menos uma manutenção preventiva anual.
A principal função dessa visita é a identificação de indícios que podem se tornar futuras falhas e agir antes que elas aconteçam, reduzindo riscos e custos futuros. Os pontos mais importantes a serem investigados são:
Sinais de ferrugem, corrosão e danos (estruturas e parafusos): já foram identificados casos de ferrugem em parafusos vendidos como inoxidáveis. Usinas litorâneas devem ter cuidado redobrado com esse problema devido ao alto índice de corrosão causado pelo sal marítimo, que também está presente no ar.


Afrouxamento de conexões: esse afrouxamento causa mau contato entre o cabo e o dispositivo conectado, gerando aquecimento, desarme de disjuntores, possíveis arcos elétricos, queima de dispositivos e interrupção do fluxo de energia.
Durante a manutenção, é feito o reaperto de todas as conexões para assegurar o bom funcionamento do sistema.

Inspeção visual: o olhar técnico busca cabos danificados, roídos ou expostos que podem apresentar fugas de corrente, paralisando a geração de energia.
Além disso, são inspecionados os módulos em busca de trincas, estilhaços, curtos e outras falhas que diminuem o rendimento ou podem se tornar falhas críticas no sistema.



Os principais fatores externos a considerar em uma manutenção preventiva:
Vibrações
- Usinas localizadas próximas a estradas movimentadas, com tráfego de caminhões, costumam necessitar de reaperto frequente das conexões elétricas.
- Máquinas que vibram, como motores, compactadores e obras em geral, podem transmitir vibrações para toda a estrutura do sistema fotovoltaico, aumentando a necessidade de inspeções.
Locais Arborizados
A proximidade com a natureza, além de sua beleza, traz alguns desafios:
- Insetos e animais podem fazer ninhos em painéis elétricos, inversores ou roer cabos no telhado, expondo condutores a riscos como fuga de corrente e curto-circuitos.
- Ninhos de aves podem obstruir a ventilação do inversor, causando superaquecimento, perda de eficiência ou até danos permanentes.
- Colmeias, enxames de marimbondos, abelhas ou até aranhas tendem a se alojar perto ou dentro dos painéis elétricos devido ao calor, dificultando ou impossibilitando o manuseio das chaves em situações de manutenção.

Variação de Temperatura
Nas grandes cidades, é comum a temperatura variar mais de 10 graus em um único dia. Essas variações influenciam a dilatação térmica de metais, como parafusos e conectores.
Esse efeito, similar ao que provoca estalos em móveis de madeira, pode afrouxar os apertos em disjuntores, gerando mau contato e arcos elétricos, podendo levar à queima de dispositivos.
Alta Incidência de Raios
O Brasil lidera mundialmente em incidência de raios. Para proteger o inversor fotovoltaico, as instalações possuem Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS), que desviam a corrente de surto para o sistema de aterramento.
O DPS age tanto contra surtos na rede elétrica quanto contra descargas atmosféricas, “sacrificando-se” para proteger o equipamento mais valioso do sistema. Após atuar, o DPS altera sua “etiqueta” de verde para vermelho, indicando a necessidade de substituição.
Se a instalação não possui um sistema de aterramento, já passou da hora de chamar um profissional especializado.


Quebra ou Dano de Módulos
Em nossa experiência, já encontramos módulos danificados por pedras, tocos de madeira (mesmo em prédios acima de 20 andares), tiros, queda de objetos, entre outros fatores. Esse tipo de falha pode ser identificado pelo cliente ou durante uma inspeção visual na manutenção preventiva.
Dependendo da disposição elétrica do arranjo, o problema pode variar de simples a complexo:
- Em casos fora da garantia, recomenda-se adquirir um novo módulo idêntico ou compatível, realizando uma única visita para substituição.
- Se a compra do módulo demorar, uma visita para isolar eletricamente o módulo danificado pode evitar curtos, incêndios, perda da string ou danos ao inversor, ganhando tempo para o trâmite de aquisição e instalação.
- Para falhas cobertas pela garantia, como pontos quentes ou curtos internos, o processo de substituição pode levar de 30 a 60 dias, além de custos com descarte ou devolução do módulo danificado.
Em geral, recomenda-se agendar essa visita a cada 12 meses com um profissional ou empresa especializada, aproveitando para combinar o serviço com a limpeza dos módulos e outras atividades necessárias.
Limpeza das Placas Solares
Terra Vermelha
Regiões próximas a áreas com terra vermelha, onde há escavações ou tráfego intenso de caminhões, geralmente acumulam poeira avermelhada que adere aos módulos, reduzindo a irradiação solar captada.




Poeira Automotiva
Instalações próximas a grandes fluxos de veículos acumulam fuligem resultante da queima de combustível. Embora o pó fino tenha menor impacto individualmente, sua grande quantidade pode causar o mesmo efeito de redução de eficiência que a poeira mais grossa.
Obras na Região
Reformas e construções realizadas até em quarteirões próximos podem trazer partículas de pó de cimento que, em contato com a chuva, formam pequenas crostas nos módulos. Essas crostas podem arranhar o vidro e exigem cuidados especiais para remoção, evitando danos permanentes.




Períodos de Seca
Durante a falta de chuvas, como a registrada em 2024, muitas usinas fotovoltaicas tiveram sua eficiência reduzida em mais de 20%. A seca trouxe fuligem de queimadas e poeira que se impregnou nos módulos.
Esse cenário prejudicou a geração de energia de junho a outubro de 2024, com melhora gradual após as chuvas de novembro e dezembro. Esses fatores também impactaram o prognóstico de geração calculado pelo CRESESB (Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio de S. Brito) devido à alta incidência de dias nublados.



Afinal, as chuvas não limpam os módulos fotovoltaicos?
Sim e não. A água da chuva remove partículas de poeira superficial, o que melhora o desempenho ao expor maior área dos módulos ao sol. Contudo, a poeira deslocada tende a se acumular nos cantos das placas, formando crostas densas que geram um fenômeno chamado pontos-quentes (hot-spots).
Os pontos-quentes ocorrem quando sujeiras, como crostas de poeira, fezes de pássaros ou outros resíduos, bloqueiam a luz solar. Essas áreas aquecem com a irradiação, transferindo calor para as células solares.
Esse aquecimento pode desequilibrar o fluxo de corrente, aumentando a resistência no local, o que não só consome energia em vez de gerá-la, como também pode causar danos às células e até queima do módulo.
Outro ponto importante é que apenas água não é suficiente para uma limpeza completa. Assim como em um carro, lavar apenas com mangueira não elimina toda a sujeira. É necessário o uso de sabão neutro ou especial e de uma escova macia para garantir a remoção eficaz de resíduos impregnados.
Cuidados com a Limpeza
Usinas de Solo e Lajes
Essas instalações geralmente são mais acessíveis e apresentam menor risco de acidentes. Caso tenha interesse em realizar a limpeza, veja nosso artigo: A importância da limpeza dos módulos fotovoltaicos.
Usinas fotovoltaicas em Telhados Coloniais, Metálicos, Fibrocimento e Galpões
Esses tipos de instalação demandam maior atenção devido ao alto risco associado:
- Telhado Colonial: Mesmo novos, esses telhados podem se tornar quebradiços com a exposição à água, aumentando o risco de infiltrações e acidentes.
- Telhado Metálico: Se torna ainda mais condutor quando molhado, aumentando a chance de choques elétricos por fugas de corrente.
- Telhado de Fibrocimento: É estruturalmente mais frágil, podendo quebrar caso o peso não seja distribuído corretamente.
A limpeza dessas estruturas deve ser realizada por profissionais experientes e equipados com os devidos equipamentos de proteção individual (EPIs), garantindo a segurança e a integridade do sistema fotovoltaico.



Conclusão
Após a análise dos casos mencionados, é altamente recomendado que sistemas fotovoltaicos recebam a visita de um profissional qualificado ao menos uma vez por ano.
Para sistemas residenciais menores, com 4 a 8 módulos, intervalos de 1,5 a 2 anos podem ser suficientes para justificar financeiramente as intervenções, que são essenciais para manter a eficiência e a segurança do sistema.
O custo de uma intervenção profissional para manutenção preventiva varia com o valor total de instalação da usina, energia média gerada mensal, número de placas e deslocamento principalmente.
Assim como a urgência do atendimento. Para uma limpeza simples até 10 placas, o valor pode variar de R$150 a R$350, quanto mais placas, mais barato o valor por peça limpa. O acesso ao local e pressão d’água influenciam diretamente esse valor.
- Sistemas em solo e laje: Podem ser limpos de forma caseira seguindo as recomendações mencionadas no artigo anexado. Isso reduz o custo da limpeza profissional e ajuda a manter a geração dentro do esperado.
- Usinas em telhado: Recomendamos que a limpeza seja feita por profissionais experientes, pois esses ambientes apresentam maior risco de acidentes.
Cuidados Recomendados
- Monitoramento Regular: Acompanhe o desempenho da sua usina pelo site ou aplicativo da plataforma de monitoramento ao menos uma vez por semana. Verifique a curva de geração e o status dos inversores, evitando longos períodos de desligamento.
- Inspeção Visual: Observe as placas periodicamente, conferindo os dispositivos de proteção e verificando o visor do inversor, caso aplicável.
Essas ações podem ser realizadas sem o auxílio de um profissional, contribuindo para a saúde e economia do seu sistema.
A Sunus conta com uma equipe própria de profissionais experientes e capacitados na área de energia fotovoltaica. Com mais de 400 usinas instaladas e mais de 5 anos de atuação no mercado, trabalhamos com as melhores marcas e buscamos inovação constante no setor solar.
Estamos ganhando destaque nos serviços de pós-venda, instalação de sistemas híbridos e carregadores veiculares. Atuamos principalmente na região metropolitana de Belo Horizonte, MG.
Se você deseja explorar as vantagens da energia solar para o seu empreendimento, entre em contato com a Sunus. Nossa equipe está pronta para ajudá-lo a fazer essa transição energética e aproveitar todo o potencial de economia e inovação que a energia solar pode oferecer para você e sua empresa.
Referências:
CRESESB Cepel
Chemitek – Hotspot effect
Dados Sunus 2024
Nossa, agora tudo faz sentido!! Melhor artigo que já li sobre o assunto. 👏🏻👏🏻👏🏻
Muito bom!
Bem esclarecedor e didático!
E é essencial esse sistema,
Uma vez que sem, as placas vão perdendo eficiência!